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Deixa a Tristeza ser a heroína da tua história

Esta é a história da Maria, mas podia bem ser a minha ou a tua. Conta a história da Maria, mas conta também a história de muitas Marias que, tal como a maioria de nós, se recusam a ficar tristes. Porque acreditam que sentir tristeza é ser triste e ninguém quer ser triste. Mas é exatamente essa recusa em integrar a tristeza que nos vai fazer permanecer nela durante muito mais tempo.

“Sei que te escondi durante muito tempo. Sei que te tentei sufocar, escondendo-te no lugar mais profundo da minha Alma, onde nem eu te pudesse ver. Mas tu não desapareceste. Foste crescendo, crescendo, fizeste-te gigante. E como eu fiz de tudo para te calar. Primeiro procurei fora: sair com os amigos, dançar, rir, beber uns copos, que assim isto passa. Só que não..quando já estavas grande demais e te fazias refletir em todo o meu mundo exterior, não tive outra opção senão virar-me para dentro: Medicação, meditação, cursos e mais cursos, desenvolvimento pessoal, arte como terapia, livros e mais livros e psicologia. Queria tanto chegar aquele estado de felicidade, e quanto mais tentava, mais forte se tornava a angústia de não conseguir. E numa época em que basta abrir o Facebook para aparecerem 1001 soluções milagrosas, do tipo, como desbloquear a abundância na tua vida em 10 dias! Como viver a vida que sempre sonhaste? 

Bullshit.

Tenho um monstro dentro de mim chamado tristeza. Um monstro que se tornou monstro porque se alimentou das minhas entranhas durante demasiado tempo. Um monstro que se tornou monstro porque eu fiz tudo para o evitar. Porque eu fiz tudo para o matar. Porque durante toda a vida acreditei que tristeza era fraqueza. Coloquei esta emoção no lugar mais escuro da minha sombra. Mas ela não gostou e cresceu tanto que conseguiu tapar o meu sol. Cresceu tanto em mim que eu já não a conseguia esconder em mim aos outros, e por isso, escondi-me a mim também.

E porque achei que conseguia vencer esta luta desigual, querendo ser forte além das minhas forças, durante tempo demais, fui ao tapete num knockout tão violento que cada vez que me tento levantar ainda sinto as pernas a tremer e receio não conseguir chegar ao final da rua.

Então, agora, na humildade da minha derrota te pergunto finalmente: tristeza, o que tens tu de tão importante a me dizer?

Estou a ouvir-te. Escuto-te, pois não me sobra mais nada senão escutar-te. Quero saber o que vieste dizer-me há tanto tempo, que eu nunca quis escutar. 

Vivi contigo durante tanto tempo, sufocando-te a voz, ignorando a tua presença, mas sabendo que estavas lá. Tu estavas lá para mim, não contra mim, não é? Mas eu escondi-te durante tanto tempo que tu te zangaste comigo. Revoltaste-te com a minha ignorância, por eu não perceber que vinhas para me ajudar.

Agora eu entendo. Peço-te perdão por isso. Estou aqui, desfeita de ilusões ou fórmulas mágicas que prometem uma solução rápida e indolor. Sei bem que isso não existe. Sei porque exatamente pela minha resistência, tornei a minha existência bem mais dolorosa do que ela podia ter sido se te tivesse dado ouvidos quando tu chegaste a primeira vez. Provavelmente teria sido muito mais fácil. Teria resolvido o problema que me apontavas e não teria acumulado uma montanha de dores num saco sem fundo. É que, sabes, há muito para tirar para fora. Anos e anos de caminhos tortuosos, sonhos desfeitos, promessas não cumpridas, pessoas que ferem quando prometem amar, outras que vão quando precisamos que fiquem, e muita perda, muita luta em vão, muito cansaço acumulado. Tirar tudo isto para fora demora. Demora muito. E tristeza, eu não gosto de me sentar contigo tanto tempo, mas na verdade eu já me habituei à tua presença. A essa tua presença azul que me faz chorar mesmo quando eu quero rir. 

É desconfortável olhar para ti. Pois em ti me revejo e não quero. Quando é que me vais deixar, minha tristeza? Serei eu capaz de viver sem ti? 

Hoje olho-te no olhos e peço-te que me ajudes. Que me ajudes a desempacotar tudo o que guardo neste grande saco e que, com a calma com que tu sabes desempacotar as coisas, me ajudes a libertar, cada uma delas. Ajuda-me também a não me demorar tempo demais com nenhuma, apenas o necessário para significar cada uma e deixar ir. Esvaziar um saco destes leva tempo. Muito mais tempo do que os cursos de auto-ajuda apregoam, às vezes de uma forma tão ignorante e leviana. Não adianta mascarar a tristeza com visualizações de luz. Não adiantar focares-te em pensamentos positivos e mantras à espera de ficares iluminado se não conseguires olhar para a tua sombra e trazer à luz aquilo que lá está.”

Numa época em que tanto se fala de energias, da Lei da atração, Karma, em que igual atrai igual, urge esclarecer este conceito que tanta confusão traz às pessoas: irás continuar a vibrar na vibração das trevas enquanto não trouxeres as trevas à luz. Já Jung dizia: “Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão”. E “Qualquer árvore que queira tocar o céu precisa de raízes tão profundas a ponto de tocar o inferno”. E a tua tristeza irá permanecer em ti até que consigas significar as tuas experiências. Da forma certa. Com as emoções correspondentes, até que finalmente as possas colocar noutro nível da tua psique. Enquanto a experiência traumática não for processada e significada, a dor irá permanecer no teu corpo, nas tuas células. Enquanto as quiseres mascarar, ser superior, seguir em frente rápido, ultrapassar os sentimentos negativos sem os significar eles permanecerão em ti e a vida (o inconsciente) irá trabalhar com todos os meios de que dispõe, para te trazer mais do mesmo, situações semelhantes, que irão sempre funcionar como gatilho para trazer para fora o que escondes lá dentro. 

Não existem emoções boas e más. Elas são todas boas, na medida em que funcionam todas a nosso favor, como barómetros das experiências que vamos vivenciando. E a tristeza funciona como uma luz amarela que acende no nosso carro, que nos pede para parar para ver o que se passa. Mas nós, muitas vezes, na ânsia de chegar mais rápido ao nosso destino, ignoramos a luz e pisamos fundo no acelerador, na vã ilusão de que a luz possa desaparecer, como magia. E geralmente o resultado não é bom. Podemos partir o motor, transformando um problema que poderia ser facilmente resolvido num outro bem maior.

O filme de animação Divertida Mente, da Pixar, demonstra bem esta dinâmica. Deixo-vos uma passagem da incompreendida e indesejada Tristeza, que foi essencial à recuperação da sua Riley.

“Por isso tristeza, quero ajudar-te a tirar-te da sombra. A que deixes de ser tabu. Eu sei que tu tens uma missão, e importante. E que jamais seremos felizes se não te dermos espaço, tristeza, para falares quando chegas.

Conversa comigo, estou aqui para te ouvir. Já somos íntimas, na verdade. Mas éramos como aquela mãe e filha que vivem na mesma casa sem se falar, cheias de mensagens presas dentro do coração que se ocultam e se calam até que quando chega a hora de falar, já não sabem bem por onde começar.

Pois bem tristeza, eu vou deixar-te falar e mais, vou dar-te voz.

Vou dar-te voz para que não mais sejas tabu. Para que se possa falar abertamente de tristeza, nos dias de hoje. Quero esparramar a tua imagem das redes sociais, no meio de tanta imagem de falsa felicidade, tantas vezes usada para mascarar a tua cara tristeza, sempre tapada na maioria dos corações. E tu, tristeza, também sabes ser bela. Porque sem ti, a alegria jamais será inteira.

Que saibamos falar de ti, sentar-nos contigo, trazer-te à luz. Que saibamos fazer-te as perguntas certas quando nos visitas, pois quando fazemos as perguntas certas, as respostas certas chegam também. Que não tenhamos pressa de te mandar embora, pois tu és daquelas visitas que só fica o tempo que é preciso ficar. E isso é decidido por nós e pelo tempo que demoramos a aceitar ser bons anfitriões.”

Tristeza não é doença. Nem é contagiosa. É ela que nos permite sentir empatia. É quando conhecemos a tristeza que sabemos o poder de um abraço e de uma presença que ouve, que acolhe, sem tentar mudar o estado de espírito do outro. É ela que nos ensina a ser vulneráveis. E é preciso coragem para a ser vulnerável, como tão bem explica a Brené Brown. 

Depressão não é sinal de fraqueza. É sim sinal de desconhecimento de si e dos seus limites. É sinal de pôr as necessidades de todos à frente das suas. Desconexão profunda com o seu próprio corpo e as suas emoções, que te gritam para parares quando a tua cabeça te diz que tens de continuar e ser mais forte. 

Por isso é urgente que se fale de tristeza. É urgente que se fale de emoções. É urgente que se ensine as crianças e os adultos e conhecerem-se e a escutarem-se. A cuidarem de si. A dizerem não. A fecharem a porta sem remorsos a quem não merece a sua energia e só suga, como um vampiro esfomeado. 

Ensinemos as crianças que Homem chora sim e Mulher também. Não tentemos calar a tristeza. Não digamos às nossas crianças que choram que já passou, que pare de chorar, que seja forte, que assim está a ser mariquinhas. Isso além de os programar para esconder a tristeza, fá-los acreditar que ela é má. Que a devem esconder sempre que a sentem chegar. E mostra também o nosso imenso desconforto em lidar, nós próprios, com ela. Ver os nossos filhos tristes faz-nos sentir tristes também, e a maioria de nós não sabe lidar com isso. Precisamos aprender. Aprender a aceitar a tristeza. “O que resistes, persiste”. E a tristeza precisa que fiques com ela o tempo necessário para poderes curar-te e depois seguir caminho.

Deixemo-la ficar, mas sejamos bons anfitriões e ofereçamos-lhe uma cadeira e um chá e sentemo-nos com ela. Abraça a tua tristeza sem medos. E assume com coragem a tua vulnerabilidade de dizer que hoje ela visita a tua casa. 

“Como nasceu a alegria” de Rubem Alves

Frozen

Resumo do Conto

Frozen tornou-se um fenómeno mundial e é uma história que eu gosto particularmente e sobre a qual acho que vale muito a pena debruçar-nos.

O filme é baseado no conto A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen e esteve em desenvolvimento pela Disney Animation durante 74 anos! Isto porque nenhuma das versões idealizadas durante todos esses anos conseguiu sair do papel, pois os argumentistas não sabiam como fazer o público relacionar-se com as personagens diferentes do conto e com a personalidade abstracta da Rainha da Neve.

O projecto foi revitalizado em 2011, quando Chris Buck assumiu a direcção e decidiu que a Rainha da Neve seria irmã da heroína (Anna), criando uma relação real para as duas personagens principais. Em 2012, Jennifer Lee juntou-se ao projecto e, juntamente com as canções de Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez, ficaram responsáveis por estabelecer uma personalidade humana para a Rainha da Neve, Elsa, que até então era uma vilã uni-dimensional. No final desse ano, o título inicial The Snow Queen (A Rainha da Neve) foi alterado para Frozen.

Frozen estreou em 27 de novembro de 2013 e foi recebido com aclamação pela crítica e público em geral. O filme foi considerado a melhor animação do estúdio desde a era do Renascimento da Disney. Arrecadou mais de 1,2 biliões de dólares nas bilheteiras mundiais. É o terceiro filme original (que não é continuação) de maior bilheteira, a terceira maior bilheteira na história do Japão, a maior bilheteira no mundo de 2013, a animação de maior bilheteira de todos os tempos e a décima-primeira maior bilheteira da história. Entre vários prémios, venceu o Óscar de melhor filme de animação e melhor canção original (Let it Go), o Globo de Ouro de melhor filme de animação, cinco Annie Awards e dois Grammy Awards de Melhor Banda Sonora Compilada e Melhor Canção Escrita para uma Media Visual (Let it Go).

Após esta grandiosa e merecida introdução, de forma a fazer jus ao sucesso desta adaptação, avançarei com a interpretação desta versão do conto, que considero estar brilhantemente conseguida e mais fácil de compreender e interpretar do que o próprio conto original, que é um conto dividido em 7 histórias.

Esta é uma história de cura e superação. Cura através do amor, como superação dos medos. Fala-nos novamente da dualidade, dos elementos ar (pensamento) e fogo (sentimento) simbolizados por cada uma das personagens principais (Elsa e Anna, respectivamente), que precisam enfrentar as próprias sombras (cada uma representa a sombra da outra; as partes não integradas), para recuperar o vínculo que as unia – o Amor – o qual foi esquecido pela distância causada pelo medo, restabelecendo assim, por fim, o equilíbrio interno – a totalidade psíquica.

Podemos analisar esta dualidade nos aspetos das personalidades de ambas. Anna é extrovertida, jovial, expansiva e vive à procura de relacionamentos, principalmente com a sua irmã, a introvertida Elsa, para a qual o mundo externo é assustador. A sua personalidade é mais grave e desconfiada que a de Anna. Os seus medos assolam-na, levando-a à reclusão.

Este filme ilustra bem o que diz C. Jung sobre o facto das atitudes em relação ao objecto serem funções de adaptação. Cada uma das irmãs se adaptou ao meio em que vivia e à sua situação em particular de forma diferente e individual.

Elsa conduz Anna pelas suas criações imaginativas, o que cativa Anna. Entretanto, para um desenvolvimento saudável, os irmãos estão suscetíveis à diferenciação entre si, ao aprimoramento de capacidades diferentes e, assim, à apreciação também distinta dos pais.

Como Anna admira Elsa e a sua capacidade criativa, segue-a. Mas segui-la representa estar atrás, o que gera por si só uma ferida, um congelamento da sua própria atividade mental (simbolizada na história com o ferimento causado por Elsa na cabeça de Anna). Por compensação, Anna desenvolve a função sentimento e adopta uma atitude de extroversão, em oposição à irmã.

Elsa cria Olaf, ainda em potencial (inanimado), durante a infância em brincadeiras com Anna

Exploremos um pouco mais os conceitos de introversão e extroversão:

O extrovertido tende a vivenciar o mundo antes de o entender. Mergulha nos acontecimentos antes de avaliar as implicações das suas decisões. Por isso é impulsivo e não resiste aos convites para participar de atividades. Prefere trabalhos em equipa, fala melhor do que escreve, é mais generalista que especialista e mantém um bom diálogo enquanto faz outras coisas. O extrovertido orienta-se de acordo com o ambiente externo, o que inclui pessoas, objetos e ocorrências. Os seus interesses e energia voltam-se para o exterior, que se torna seu orientador e ao qual se adapta com grande facilidade. Isto pode ser prejudicial se ficar limitado ao mundo externo, esquecendo-se de si e do seu próprio bem-estar.

o introvertido centra a sua atenção na impressão interna que os factores externos lhes causam. A atenção é focada interiormente, nas impressões, nas emoções, nos pensamentos e nos sentimentos, isto é, nos processos internos que foram disparados pelo que se encontra lá fora. O introvertido prefere compreender o mundo antes de o experimentar, daí hesitar diante das oportunidades. Por isso é difícil aceitar imediatamente qualquer convite para uma atividade. Prefere escrever a falar, bem como trabalhar com o mínimo de pessoas e distracções. Os ambientes com muitos estímulos são evitados e tende a ficar alheio ao que ocorre à sua volta. Tem dificuldade em manter um diálogo enquanto faz outras coisas, preferindo fazer uma coisa de cada vez. Tende a aprofundar-se muito num determinado assunto apenas do que ser superficial em variados temas.

Como o sistema psíquico é um conjunto autorregulador, existe no extrovertido uma tendência à introversão inconsciente, e vice-versa. Ou seja, enquanto uma será a função principal, a outra deverá manter-se como função auxiliar, de forma a manter um equilíbrio. O inconsciente pode provocar disfunções nervosas e físicas para equilibrar a psique, ocasionando uma limitação involuntária à extroversão extrema (ou, no lado oposto, à introversão radical).

Anna é extremamente extrovertida, o que também necessita de ser equilibrado, de forma a que possa conseguir ter mais contacto com os seus próprios sentimentos e emoções, não se focando só nos outros (isto é refletido pela forma como ingenuamente se apaixona pelo primeiro homem que a tenta seduzir e como aceita imediatamente casar-se com ele, sabendo pouco ou nada dele e da sua vida). Por outro lado, Elsa é extremamente introvertida, guardando para si os seus medos e acabando assim por congelar o próprio coração.

Mas além de introvertida, Elsa é também muito tímida. A timidez é uma grande fragilidade interna face à rejeição do outro e, por isso, os tímidos evitam expor-se, principalmente a estranhos ou em público. Já o introvertido pode expor-se, se isso for necessário, caso contrário prefere não aparecer por desconsiderar o ambiente externo e não por medo da rejeição, como ocorre com o tímido.

Esta timidez apresenta-se fruto da baixa auto-estima e insegurança de Elsa, causada pela falta de amor incondicional e compreensão na infância. Os pais, amando ambas as filhas e querendo protegê-las, acabaram por não saber lidar com a situação, adoptando uma atitute de proteção de Anna, mais nova e considerada mais frágil que Elsa a qual, sendo a mais velha e a que menos exteriorizava as suas emoções e personalidade, era assim vista por eles como a mais forte. Assim, Elsa foi criada sem sentir amor, sem valorização da sua essência e da sua genuinidade. O seu ego estruturou-se mais fragilmente, pois não foi reforçado pela afeição.

A pergunta que se impõe aqui é: como teria sido a Elsa se os pais tivessem superado o medo que sentiam em relação aos seus poderes e potencialidades e tivessem lidado de forma diferente com esse dom, ajudando a filha a lidar com a sua diferença? Bem diferente, seguramente. De qualquer forma, acredito que é a história de cada um, tal como acontece, que faz de nós o que somos, com as nossas forças e fraquezas.

Os pais das princesas tomaram uma decisão guiada pelo medo, o que acabou por separar as irmãs e prender Elsa na sua própria natureza gélida, longe do calor da irmã e o frio guardado dentro de si, impedido de sair, congelou o próprio coração.

A Elsa, na sua natureza fechada e com o coração cheio de culpa, aprendeu desde pequena a guardar dentro dela esses sentimentos “maus”. O seu dom, que fazia parte dela, foi rejeitado desde pequena, pelo que ela cresceu com a certeza que parte de si era má e, consequentemente, ela era má e não merecia o amor da irmã. Por isso se isolou, se castigou, castigando sem querer também a irmã. Esta situação prolongou-se durante demasiado tempo, visto que a capacidade de guardar dentro de si tudo o que recusava acerca de si própria também se tornou grande.

Se Elsa sente culpa por ter ferido a irmã um dia, Anna também sente que deve ter feito algo de errado para que a irmã se tivesse separado dela, de forma inexplicável.

Até que os pais morrem. A morte dos pais simboliza a necessidade de crescimento interior, o tal momento de transição para a vida adulta em que Elsa é obrigada, de acordo com a sua posição real, a assumir a coroa e o trono de rainha de Arendelle. Esta morte simboliza igualmente um aspeto importante no desenvolvimento da psique – enquanto as leis e normas impostas pela família e pela sociedade não morrerem dentro de nós, não é possível atender ao chamado da própria alma.

A pressão que Elsa sentiu no dia em que teve de encarar todo o reino na coroação, bem como a comunicação da decisão da irmã Ana de se casar repentinamente, acabaram por se transformar no gatilho que originou a explosão emocional da Elsa (tal como referido anteriormente, a explosão é um mecanismo provocado pelo inconsciente para retirar o sujeito de um estado de introversão extrema, prejudicial e incapacitante).

Elsa tem um surto, foge e torna todo o reino gélido, reflexo do seu estado emocional. Ela constrói um castelo no ar e vai viver nele (sintoma característico da psicose). Nesse castelo, noutro mundo, ela pode viver tranquila, pode ser quem é, em total liberdade.

É neste momento de surto que Elsa canta a sua canção:

Infelizmente, os seus pais transmitiram-lhe a crença de que não se devia manifestar e ser livre, em benefício da irmã e para que ninguém a achasse estranha. “Esconder, conter, ou saberão…”. Ela tem de fazer de conta que leva uma vida normal e não se sente rejeitada, envergonhada e devalorizada. A situação não poderia continuar assim.

“Eu vejo que a distância vai tudo suavizar

E os medos de outros tempos não me vão apanhar

Ser livre assim é mesmo bom, ver os limites deste dom

Sem regras sou feliz enfim, sou sim”

Elsa gritava pela liberdade tanto contida, mas no fundo, ela continuava presa. A prisão já não estava no castelo e no seu quarto, mas sim dentro do seu próprio coração.

Para uma introversão intensificada pela timidez, as próprias criações imaginativas solitárias da alma são suficientes. Enquanto não se expressava, não se mostrava como era, parecia a menina perfeita e não a estranha bruxa que todos supuseram que era. Era preferível viver sozinha a permanecer com medo de ferir, mas sempre se magoando.

É neste momento que surge Olaf, o boneco inicialmente criado por Elsa na infância, mas desta vez, ele ganha vida. Olaf é a projeção do Self, a materialização da necessidade da Elsa integrar a sua sombra, representada por Anna. Olaf, o boneco de neve é, ao mesmo tempo, gelado por natureza e caloroso, pela sua natureza amorosa, extrovertida e divertida. Ele diverte-se a desmontar-se e reintegrar-se, tal como Jung nos refere como fases necessárias no processo de individuação. Jung refere ainda que os primeiros símbolos do Self começam a surgir em sonhos na primeira infância, tal como o boneco de neve que foi inicialmente criado por Elsa na infância. Esta possibilidade existe desde cedo, embora dependa de uma construção posterior. O aparecimento de Olaf nesta fase, já animado, e guiando Anna em direção ao castelo de Elsa, representa as tentativas de Elsa de integração do seu aspecto sombra e a necessidade de completar essa integração.

Olaf representa o Self de Elsa e possui a atitude extrovertida, sombria para ela

Mas quando Anna chega ao palácio de gelo construído pela irmã, na tentativa de trazer a irmã de volta à realidade e ao lar, Elsa acaba por ferir Anna acidentalmente, de novo. Desta vez, Elsa fere a irmã Anna no coração (símbolo da função mais desenvolvida de Ana). Ana fere-se, pela mão da sua irmã, justamente pela sua capacidade empática, de entrega ao outro, correndo o risco de se transformar numa estátua de gelo.

Quando Elsa percebe o que fez, entra em estado de choque e, em descontrolo, cria um monstro de gelo, que afasta Anna e Olaf do palácio. O monstro do gelo é uma personificação do medo e terror de Elsa, ao ver que o seu maior medo e do qual se tinha protegido e culpado toda a vida – magoar a irmã – tinha acontecido.

Esse monstro volta-se agressivamente contra todos os que se opõem à liberdade recém-conquistada. Elsa torna-se uma vilã porque só pensa nela nesse momento. Mas, na verdade, esse “egoísmo” e reclusão foram uma medida de emergência do inconsciente, totalmente necessária para a libertação de todos os sentimentos e emoções reprimidas. Só desta forma ela poderia ter espaço dentro dela para a aceitação, perdão e amor.

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Anna salva Elsa do ataque de Hans, num ato de amor verdadeiro

Mas o amor salva ambas. Anna defende Elsa do ataque de Hans no momento em que se transforma em estátua de gelo, o que constitui um ato de amor verdadeiro. E Elsa, quando vê a irmã congelada, fruto do seu descuido e depois de a salvar, finalmente descongelou o seu coração. Neste momento, tudo se transforma, pois o inverno não era mais que uma vigorosa projeção do que se encontrava no seu interior. Talvez até o congelamento da irmã fosse uma projeção, que deixou de acontecer no momento em que ela se sentiu genuinamente aceite e amada.

O coração de Elsa descongela, descongelando assim também a sua irmã Anna e todo o seu mundo

Elsa só conseguiu descongelar o reino e a irmã quando descobrir a capacidade de se amar a si mesma (o que ocorre no exílio) e, consequentemente, aos outros, por meio da irmã.

No final do filme ocorre um equilíbrio nas atitudes de introversão e extroversão extremas das irmãs, junto de Olaf, simbolo da totalidade psíquica.

Elsa ganha confiança para para usar a sua capacidade criativa junto à população

Anna não se entrega a Kristoff de imediato, como fez com Hans, que se revelou um vilão, demorando mais tempo até verificar que se tratava de amor verdadeiro

Por fim, Olaf demonstra vontade de conhecer o Verão e o calor e Elsa, compreendendo que seria impossível para Olaf sentir o calor sem derreter, constrói-lhe uma pequena nuvem própria, que o acompanharia sempre, de forma a manter a sua natureza gelada, mesmo num ambiente de calor. Aqui vemos que Elsa adquiriu a capacidade de compreender a necessidade de preservar a sua própria natureza, sem necessitar de se privar de contactar com um mundo diferente, adaptando-se, mostrando assim que adquiriu um profundo auto-conhecimento de si, das suas potencialidades e limitações e um amor-próprio que a permite reinventar-se mediantes as necessidades e usufruir da vida em pleno.

A Pequena Sereia

Antes de falar sobre a história e sua simbologia, para quem não conhece o conto original, na ligação acima conseguem ouvi-lo na integra.

A Pequena Sereia é um conto de fadas que nos remete para o arquétipo da adolescência e para a jornada da heroína.

A jornada da heroína, como qualquer jornada arquetípica de heróis, é um processo de individuação. O viajante empreende uma aventura fora do seu mundo habitual para enfrentar inimigos e dragões. Vai superando testes com a ajuda de um mentor, real ou sobrenatural, que o prepara para enfrentar os desafios.

No caminho, encontrará duras provas, inclusivé provas de vida ou morte. Também há recompensas e por fim um caminho de volta, que também não é livre de dificuldades. Os heróis vão deparar-se com suas próprias sereias que tentarão por todos os meios que estes abandonem o caminho.

Trata-se de uma jornada da psique humana com algumas etapas, reais e simbólicas, que passam pela separação da mãe e a aceitação do pai, entre outras.

Essa jornada arquetípica consiste em tornarmo-nos quem realmente somos, transformando a visão que temos do mundo e de nós mesmos. É uma busca por um sentido mais transcendente na vida e um desejo de manifestar a nossa própria natureza. O termo jornada do herói foi popularizado por Joseph Campbell, com o seu livro O Herói de Mil Faces.

A jornada do herói contém padrões válidos tanto para homens quanto para mulheres. É um caminho difícil e as mulheres têm um desafio extra: empreendê-lo no contexto de “um mundo de homens”. Nós, mulheres, precisamos procurar a nossa própria identidade num ambiente onde o feminino é definido/tratado muitas vezes como uma construção dependente (ex: princesa) e um objeto de tentação (ex: sereia).

A heroína deste conto é uma excelente personificação desta jornada no feminino. Ela é, simultaneamente, princesa e heroína, pois não espera que o príncipe a venha salvar, ela inicia essa jornada por si mesma.

Geralmente, numa primeira fase, a heroína inconscientemente comete o erro de encarar essa aventura tomando como referência o masculinoÉ assim que começamos quase tudo: Há uma primeira rutura com o mundo comum, por meio da qual a mulher busca a sua identidade através do sucesso profissional, do poder e da “perfeição” física. Esses valores são fundamentalmente masculinos, arquetipicamente vinculados à jornada ascendente do mundo do sol, do intelecto e do poder. Em suma, ao mundo do pai.

Nesta fase, a Ariel começa por sentir um enorme fascínio pelo mundo humano e daria tudo para poder pertencer a esse mundo que desconhece, mas imagina ideal.

Na sua primeira viagem à superfície, só permitida quando a pequena sereia completa 15 anos, a avó veste-a e coloca-lhe uma coroa de lírios brancos na cabeça. A simbologia que carrega este ritual de passagem está presente na idade em que finalmente lhe é permitida a viagem à superfície (15 anos) e nos lírios brancos que lhe são colocados na cabeça. O lírio é uma flor que simboliza a pureza, a inocência e a virgindade e, no seu reverso, a tentação das paixões e o erotismo. Estes símbolos em si, representam o ritual de transição da criança para a vida adulta.

Depois desta viagem à superfície, o desejo de Ariel de pertencer ao mundo humano intensifica-se, com a paixão que sente assim que vê o príncipe. E as sincronicidades começam a acontecer, logo nesta fase, em que Ariel percebe as semelhanças do príncipe com a estátua do rapazinho humano que guardava em sua casa, no mar.

Príncipe e princesa, Ariel e Eric, são iguais. Representam a outra parte que necessita ser resgatada. Partes que se completam, masculino e feminino, de um mesmo todo (Self/Totalidade Psíquica/Si-Mesmo). São espelhos um do outro. Por isso se atraem mutuamente.

Esta é uma etapa significativamente destrutiva para a mulher sendo, muitas vezes, o prelúdio de um evento dramático na sua vida, como uma doença, uma grande perda ou o rompimento de uma relação (neste caso, simbolizada pela perda da voz que ocorrerá na fase seguinte). É uma fase crítica onde a heroína se sente perdida, na qual sente que não controla nada. Ela não encontra referências que possam guiá-la, mas sim uma sensação de impotência que provoca confusão e muito sofrimento.

Esta fase é representada neste conto pelo momento em que Ariel regressa ao mar depois de ter conhecido e salvado o príncipe e é invadida por uma enorme tristeza e desespero, pois não consegue encontrar uma forma de realizar o seu desejo.

A fase seguinte é a fase de reencontro com sua própria natureza feminina e consequente estreitamento das relações com outras mulheres. Nesta etapa, muitas vezes há encontros com mulheres sábias pelas quais a heroína sentirá uma grande admiração. Surgem novas referências, novas formas que, até então, estavam escondidas (encontro com a bruxa).

O racional já não explica os fatos e as circunstâncias em que nossa heroína se vê envolvida. Assim, começa uma etapa de encontro com o irracional e com o mundo subjetivo. A viajante compreende a importância dos ciclos da natureza e dos seus próprios ciclos. Integra agora uma interligação intuitiva com os elementos que a rodeiam.

Aqui entra novamente o conceito de sincronicidade. Podemos observar ao longo do conto várias referências a cisnes. Com a sua graça, leveza e brancura imaculada, o cisne simboliza a luz, tanto diurna, solar e masculina, como noturna, lunar e feminina. O cisne pode encarnar estas duas luzes, carregando sentidos opostos. No entanto, o cisne também pode simbolizar a síntese das duas luzes, solar e lunar, ao mesmo tempo. Quando isso ocorre, ele torna-se andrógino, criando uma aura de mistério sagrado.

A etapa seguinte tem como objetivo a integração do masculino. A integração das aprendizagens adquiridas na dolorosa primeira parte da aventura.

Abre-se uma fase de relações afetivas em que nossa heroína não renuncia a sua própria liberdade, conseguindo uma integração harmoniosa dos aspetos femininos e masculinos.

Na noite do casamento, as irmãs da pequena sereia vieram à terra, oferecendo-lhe uma possibilidade de retorno. Em sacrifício, pediram à bruxa uma solução, mas a solução passava por matar o príncipe. As irmãs, aqui em representação da sombra de Ariel, que pondera voltar atrás na sua decisão e fazer de conta que nada daquilo tinha acontecido; que nunca tinha havido uma jornada de heroína. Representa o medo da morte e o desejo inato de sair da dor e do sofrimento do crescimento. Representa a vontade de voltar ao mar, à proteção do seio materno, quando a vida adulta se mostra, crua e real, muito mais dura do que parece inicialmente. E a Ariel hesitou. Ponderou a possibilidade.

Mas na hora de decidir, percebeu que não poderia mais voltar atrás. A viagem estava feita e não poderia trair o seu caminho. Não poderia matar o seu príncipe. Não se podia matar a si mesma. Já não podia voltar a ser a pequena sereia que outrora fora, pois o caminho já a tinha transformado para sempre. E então, com a força conquistada, aceitou com coragem o destino que a esperava, o qual acreditava ser a morte.

Por fim, o regresso da heroína. Para as mulheres, retornar também significa uma reconciliação com seu próprio corpo e sua sexualidade. Há um reconhecimento do aspeto sagrado da parte feminina de todo ser humano. A heroína traz consigo toda essa sabedoria no retorno da sua odisseia. A voz interior de julgamento foi deixada na estrada. Valores importantes como sucesso ou amor romântico foram transformados. A heroína retorna com uma visão simbiótica do mundo em que vivemos e com uma intuição reforçada.

A Ariel morreu, no mar, transformando-se em espuma. Mas logo no momento seguinte, renasceu. No seio do mar onde nasceu, morreu, e lá renasceu para uma nova vida. Conheceu as dores e encantos da vida humana e, por ter enfrentado os desafios com coragem e amor, ganhou uma alma imortal e a possibilidade de ser ela mesma, renovada e reinventada, vivendo no ar, junto aos humanos.

Na versão da Disney, existe uma transformação do conto numa história de encantar com um final feliz. No entanto, na versão original do conto, este encontro não se dá. O enfoque aqui não é no “e foram felizes para sempre”, mas sim no apelo, no encontro e na transformação. Na jornada. No caminho. Na batalha no feminino. Na jornada da heroína.

À procura da Alma

O ser humano aprende por metáforas. É impossível compreendermos conceitos abstratos se não os relacionarmos a imagens previamente adquiridas, as quais são geradas através do nosso conhecimento empírico. É este o nível da nossa capacidade de abstração, limitado à nossa experiência e evolução na caminhada.

Sempre tive uma grande vontade de saber. De encontrar respostas às minhas questões existenciais, de preferência depressa. A sociedade educa-nos para avançar, “parar é morrer”, avançar sempre, mesmo que doa, mesmo que custe, temos de seguir em frente. “Quem foi ao mar, perdeu o lugar”; “Se hesitas, passam-te à frente”. Então vamos crescendo nessa ânsia de avançar, neste medo de parar e realmente avançamos sempre. Estudamos, escolhemos um curso, arranjamos um emprego. Começamos a ganhar dinheiro, saímos de casa, começamos a pagar contas. Namoramos, casamos, temos filhos. E nesta sofreguidão de chegarmos ao passo seguinte esquecemo-nos de viver. Perdemos a alma pelo caminho e a determinada altura percebemos que a cenoura através da qual andamos toda a vida a correr não está no atingir destas realizações auto-impostas. Percebemos que afinal nem gostamos de cenouras e questionamo-nos sobre o que andamos nós a fazer com a nossa vida.

E é exatamente quando fazemos as perguntas certas, que as respostas certas começam a chegar. Mas as respostas não vêm prontas, como uma refeição rápida de supermercado, 10 minutos no micro-ondas e já está. As respostas vão-se construindo, devagar e lentamente, à medida que começamos a questionar quem realmente somos e que começamos uma jornada de desconstrução egóica, reaprendizagem e re-educação. As respostas vão-nos chegando conforme formos adquirindo capacidade de as entender. Tal como as histórias e as metáforas que elas carregam.

E a vida, sábia no seu processo, vai-te avisar muitas vezes que estás no caminho errado. E se não a ouvires, ela vai obrigar-te a parar. Quando tudo à tua volta se desmorona, como castelos de areia, e por mais que tentes reconstruí-los o mar continua a chegar, implacável, destruindo o que te custou tanto a reconstruir, começas a entender que enquanto não parares para olhar para dentro, a vida cá fora irá continuar a trazer-te réplicas do primeiro furacão, refletindo cá fora toda a desordem do teu mundo interior. E aí, bolas, temos de nos permitir parar. E, acreditem que sei do que falo, parar é muito difícil. E não é só porque a sociedade não vai entender (e não vai) e vai querer que rapidamente te recomponhas e sigas novamente em frente. É, sobretudo, a sociedade em que ti que não vai aceitar que pares. Tu vais punir-te por isso, muitas vezes e sem piedade. Mas o teu inconsciente vai-te gritar através do teu corpo que não podes mais avançar enquanto não viveres esse processo interno, tal como a lagarta que tem de sofrer a morte na crisálida antes de se transformar em borboleta. Não queiras atenuar esse sofrimento com a libertação da lagarta antes do tempo. Porque ela morrerá e nunca chegará a borboleta.

E é por esta razão que decidi criar este blog. Para partilhar histórias. Histórias reais, histórias imaginárias, mas todas elas histórias de pessoas reais. Porque as nossas experiências são universais à nossa natureza, são arquetípicas, e é através delas que muitas vezes conseguimos integrar as nossas próprias experiências.

Sempre gostei de uma boa história. Mesmo antes de aprender a ler ou ainda de falar corretamente, já lia as histórias dos meus livros favoritos, decoradas de trás para a frente. Gostava de me sentar à mesa de casa da minha avó, quando os meus pais e tios se juntavam e à, noite, partilhavam histórias da terra, sobre pessoas que ousaram fazer coisas diferentes ou histórias de almas penadas e mitos que passavam de boca em boca, de geração em geração. Lembro-me de, nesses momentos, aquela mesa ser mais apelativa que as brincadeiras com as outras crianças e de me sentar junto deles, a beber toda aquela sabedoria de vida que vinha através das palavras. Que eu ainda não tinha capacidade de compreender, mas ainda assim, me fascinava.

Mais recentemente, reconectei-me com o meu antigo fascínio com os contos de fadas. Histórias que são transversais à idade, embora só em adultos tenhamos a capacidade de as entender realmente, pois já as integramos com a experiência. E é exatamente quando conseguimos compreender-nos nas histórias que ouvimos, que entendemos alguns padrões e em que momentos da nossa infância e adolescência os criamos, nesta viagem universal e única, simultaneamente, que é a nossa vida.

Espero que gostem!